19 dezembro, 2008

... só com sentir!

Quero gritar, sorrir e vaguear. Mostrar que o não também é sim, dizer não e pensar sim, e assim alcançar o sonho. Quero voar, deixar cair e partir. Lembrar ao mundo as alegrias, vencer obstáculos com lágrimas, limpar de vez os fantasmas. Quero correr, saltar e dançar. Falar para além da voz, caminhar para além do espaço, ouvir para além do som. Quero falar, dizer, contar... sem som, sem voz...

... e quero que saibas sentindo, que oiças sem som, que sintas sabendo. العاطفه

28 agosto, 2008

Sonho... de ti, contigo, para ti


Os olhos fecham-se para ver
lá fora ouve-se
cá dentro sente-se.
Gira, revira, volta-se
Cai no vazio
Grita, não se ouve...
A presença sente-se
a voz não está lá.
Abre os olhos e deixa de ver.
Enquanto sorri, sente e sabe...

... hoje estarás lá para me abraçar!

12 agosto, 2008

... Foi por ser tão bom!

Afinal também te lembras... Do brilho matinal recordo os primeiros raios de sol, do resto apenas o brilho do teu olhar!

Como se todos os deuses se tivessem unido para aquele momento, senti que tudo se tinha iluminado naquele instante, os raios de sol que começavam a surgir, quem sabe para iluminar os primeiros passos, os nossos primeiros passos, para ter a certeza que desta vez não havia escuridão que nos fizesse tropeçar!

Senti-me ali, naquele instante, como se estivesse num conto de fadas, por instantes até os pinheiros riam baixinho, os pássaros cantarolavam para nós, ao fundo o sol nascia para nos iluminar! Libertei-me ali de fantasmas passados, deixei que naquele momento nada mais existisse, ficasse apenas eu, tu e o som da paixão que surgia!

Um doce e leve toque fez-me estremecer, o mundo começou a girar muito mais depressa, senti o tempo voar... Foram segundos, que se transformaram em minutos, horas, semanas, meses, um ano...

Deste ano guardo pedaços de noites, mágicas, loucas, reflexos do teu olhar, doce, intenso, imagens de viagens, surpresas de carinho. Não quero ficar neste mundo sem ti, sem o calor do teu abraço, sem o toque das tuas mãos, sem o carinho dos teus beijos, sem a ousadia do teu olhar, sem a paixão do teu sorriso... o sorriso que me iluminou e me puxou para ti...

Hoje, ontem, amanhã e daqui a um ano...

10 agosto, 2008

One Love... One Life

A palavra já surgiu por diversas vezes, já cheguei inclusive a conseguir terminar uma frase, mas por uma meia dúzia de vezes apaguei e tentei de novo, hoje as palavras não fluem...

Sei, sinto, ou não sei mas sinto, não sei, mas sei que sinto.

A vida por vezes entrega-nos preciosidades a que nunca damos o devido valor, ou porque já caimos uma vez, ou porque simplesmente temos medo de cair... Mas espera, não dar o devido valor não é talvez o mais adequado, porque quando nos apercebemos da intensidade com que amamos essas preciosidades, porque quando sentimos que aquela prenda é parte de nós, porque quando numa simples fracção de segundos de medo a primeira pessoa que surge és tu, nesse momento estou a dar valor! E nesse momento vejo que o mais importante que tenho na vida és tu...


09 julho, 2008

mais, e mais e mais...

E de repente fez um ano... não um ano oficial, um ano apenas desde que nos cruzamos novamente, desde que esse olhar que me seduz me prendeu para não mais me soltar, desde que consegui por palavras explicar a razão dos meus actos mais distantes, desde que me chamaste cubo de gelo, desde que me levaste por voltas e rodopios numa dança que nunca esquecerei!

Já muitas vezes disse que não acredito em coincidências, o acaso não existe, tudo tem uma razão de ser! E se, há dois anos, não estava destinado a ficarmos juntos, o destino fez com que nos reencontrássemos quando estivéssemos prontos para o que nos estava reservado, para isto que é 'Amor', aquilo que incluí 'Paixão', para tudo que chamamos 'Nós'!

Quero mais, e mais, e mais, e mais...

08 maio, 2008

Retiro

A vida não pode ser feita só de trabalho e rotina, até porque não há corpo que aguente.. daí que de vez em quando (sim, só de vez em quando porque também não há carteira que aguente!) saiba bem sair do cinzento da cidade, do ar pesado, do barulho dos carros, dos gritos dos vizinhos, dos horários, das pressões, dos telemóveis, disto e daquilo...

Destino??? Praia deserta, campo, paz, chaparros, pássaros... costa e interior alentejano!!!

1º passo... telemóvel desligado!!!
2º passo... depósito atestado!!!

Saindo tarde de casa fazemos uma primeira paragem para comer um peixe fresquinho à beira-mar, e acreditem, não há melhor! O local fantástico, o peixe estava delicioso, o vinho fresquinho, a companhia... foi um fantástico início de "retiro". Sempre com o mar no horizonte passamos para o outro lado, a península de tróia com todas as suas novidades continua com o seu cheirinho a férias na praia! Não sei se finalmente terá o devido aproveitamento turístico, espero que sim...
A esta hora o nosso destino era só um: PRAIA!!!


Parámos na Comporta e é claro que, como seria de esperar num dia de semana, encontrámos a praia deserta... Foi o primeiro mergulho do ano, numa água mais quente que em muitos dias de verão, os primeiros raios de sol a baterem no corpo, e a temperatura sempre a subir, indo um pouco contra o nome da própria praia... "há coisas que só fazem sentido quando feitas em determinado momento" lembras-te?!

Numa viagem por planícies repletas de chaparritos, numa estrada de meter medo ao susto lá chegámos à nossa pousada, perdida no meio de nenhures, mais uma vez com o elemento água por perto, passámos uma noite cinco estrelas! Sem esquecer aquele jantar fantástico ao som de Katie Melua e apenas Katie Melua, sim porque o cd passou no mínimo 3 vezes...
Partindo mais uma vez em direcção à costa tivemos direito a mais um dia de praia, de sossego, de paz... algumas nuvens, o mar um pouco picado, mas mesmo assim deu para ficar no estado "lagostim" e para chapinhar um bocadito!

O nosso retiro não podia terminar sem um jantar especial, como nós gostamos, no sossego do nosso cantinho...
العاطفه

30 abril, 2008

Fim de tarde

Lá fora o vento suspira, os pássaros estão no seu último voo antes de uma noite descansada, o céu ganha um tom doce e quente, no horizonte um disco amarelo que se põe... Cá dentro a hora é de descanso, no ar uma melodia que nos embala, o cheiro que nos aconchegará o estômago... O relógio continua no seu tic-tac que não pára, o som de One diz-me que estás a chegar, o som da porta anuncia a tua chegada...


E aquele abraço, aquele sorriso, aquele beijo devolvem-me toda a energia gasta num dia de trabalho, e não preciso de mais, sabes que uma pequena palavra, um pequeno gesto, um sorriso, aquele sorriso, iluminam todo o meu dia, e são os pequenos gestos em minutos que correm e as palavras ditas por impulso que tornam o meu olhar azul.

15 abril, 2008

العاطفه

And high up above or down below
When you're to in love to let it go
But if you never try, you'll never know
Just what you're worth.

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you.

"FixYou (te dedico!!!)", Coldplay


Lembro-me do dia, ou melhor, da noite, em que esta música chegou à nossa pasta partilhada, com um especial "te dedico!!!" associado, lembro-me de a ouvir e ouvir e ouvir, lembro-me de a ouvir como nunca antes ouvira, com especial atenção para a letra, frase a frase... e raios, aquilo aplicava-se de uma maneira que me fez tremer!

Nada poderia correr pior, o tapete tinha-me sido puxado, o chão parecia não existir e o poço parecia não ter fim, não, claro que nunca demonstrei isto desta forma, não podia, ou todo o trabalho de construir uma máscara de ferro teria sido em vão...

Mas esta música, naquele dia, naquela hora, depois daquele fim de semana, esta letra fez-me pensar que era possível, que podia deixar que alguém me ajudasse a acreditar de novo...

Acho que nunca soubeste que o fizeste dessa maneira, nem tão directamente... mas não era uma altura fácil para me fazer voltar a acreditar no Amor, não era fácil fazer com que eu confiasse em alguém, poderia ser relativamente fácil fazer-me "divertir", mas não confiar ou entregar-me, nunca percebi como mas conseguiste, talvez a alegria, com aquele sorriso irresistível e um olhar doce e atrevido, talvez a vertente musical, com mensagens sublimes escondidas em cada título enviado, com ousadia, com العاطفه...

25 janeiro, 2008

É assim tão evidente?!

Apaixonada, perdidamente apaixonada, enamorada, amada... feliz! Depositei muito nesta relação, começou numa altura muito complicada, foi quase um mergulho de cabeça sem saber a profundidade da água, sem saber se haveria uma bóia s.o.s. em caso de necessidade, sem ter nada de apoio no caso de embater no fundo, por isso se chegámos até aqui, se estamos agora a partilhar o que de mais importante temos é porque confiámos um no outro, ajudámo-nos mutuamente a eliminar os fantasmas, por isso é uma felicidade merecida e não vou escondê-la!

E sabe tão bem estar assim, e sentir-me assim, e sentir-te assim...

15 janeiro, 2008

...


Sinto a tua mão pousada na minha cintura.
O teu peito nas minhas costas.
As tuas pernas cruzadas com as minhas.
A tua respiração sobre o meu pescoço.
Mexo-me um pouco.
Sentes que eu acordei.
Adoro-te, sussurras a dormir.
E adormeço novamente, feliz por estares ali.

10 janeiro, 2008

Vida a dois...

Deixei de jantar torradas com um tabuleiro em cima do colo, o jantar agora é feito (e sabe tão bem quando és tu a faze-lo!), a mesa é posta para dois. Na sala já não se ouve só o som da tv sintonizada no primeiro canal onde não estava a dar novela, agora está o som da tua voz a comentar o trabalho, ou o som dos carros que conduzes, ou a tua voz de desespero quando o carro capota na recta da meta e eu tenho que interromper a minha leitura para olhar para a tv. O gelado já não é comido em frente à tv em noites de melancolia, agora é partilhado, dado à boca com ternura. Na cama já não me assusto com qualquer barulho vindo do exterior, tenho agora um abraço protector que me aquece, que me ama e que me faz dormir como um Anjo... um AnjoNocturno, um Anjo da Noite... e que de manhã me faz sentir uma Princesa quando me acorda com um carinho, um beijo, e quando abro os olhos tenho ali aquele olhar doce e terno a olhar fixamente para mim... "és tão linda"... e sinto-me a pessoa mais feliz do mundo!

27 dezembro, 2007

meu, teu, nosso...

Não posso dizer que andava à tua procura, nem sequer estavas por perto para eu me lembrar que te queria, não corri por ti, pelo contrário... Quando me roubaste aquele beijo, dado numa madrugada de festa, impulsionada por um sentir que não reconheci em mim deixaste-me a pensar, rodopiei sobre mim mesma, duvidei de ti, de mim, de tudo e de todos, apaguei... Da vista e do pensamento desapareceste, não mais pensei, não mais me lembrei até cruzares novamente o meu olhar, estremeci é verdade, tremi por ter fugido, quis falar mas a voz falhou, nem mesmo o olhar conseguiu dizer...
Mas um dia alguém me disse que nada acontece por acaso, não existem coincidências e tudo tem uma razão de ser e, talvez aquele verão não fosse a altura certa, talvez aquele Natal não fosse adequado, desta vez foi natural, surgiste como qualquer outro amigo, tal como o amigo que estava ao teu lado, a amiga um pouco mais afastada mas... olhámo-nos como se algo mais nos unísse, unímo-nos como se nada mais tivesse acontecido, nessa noite consegui falar, justifiquei o meu desaparecimento: ficou tudo para trás. Dessa noite guardo o cubo de gelo, a surpresa que me matou a sede, a conversa enquanto seguia os teus passos... o sorriso, aquele sorriso! Não mais fugi, não tinha porque o fazer, não tinha nada a perder, a minha vida já estava virada do avesso e tu, tiveste a perspicácia necessária para saber exactamente aquilo que eu precisava, não forçaste, não pressionaste, envolveste-me em paixão... ardente, intensa, paixão! Devagarinho, timidamente e com medo os fantasmas foram saíndo, foram dando lugar a um amor totalmente inesperado, onde a ausência nunca esteve presente e dói por mais curta que seja... quando não estás falta uma peça ao puzzle que me compõe, entrar em casa e não te sentir, deitar-me e não te abraçar, acordar e não te beijar e no entanto sentir o teu cheiro nos nossos lençóis, na nossa cama, reconhecer a tua presença em cada canto da casa, deixa-me num misto de felicidade e tristeza, a melancolia de nem sempre te ter comigo, a alegria dos dias que partilhamos, os momentos vividos que impregnaram cada centímetro com amor, o nosso amor, meu, teu, nosso...

29 novembro, 2007

Quero ser...

Acordo e volto a fechar os olhos, não quero sair, quero ficar, não quero que vás, quero que fiques, no sorriso a voz doce, o gesto que me puxa para ti e me faz fechar os olhos, continuar a sonhar... Não sei quanto tempo passa, o tempo pára para nós, mas não para o mundo, e esse mundo aguarda-nos, chama-nos, acorda-nos do sonho... No abraço o som, os acordes perfeitos de uma melodia minha e tua, que o dia não faz esquecer e que a noite faz renascer.

...aquela luz que te acende a noite, te guia de dia, te seduz e te ama...

05 novembro, 2007

78376 262701830

Regressei às piscinas...
Não me lembro de onde vinhamos, era de uma festa, não me lembro qual, lembro-me apenas do que pensei quando percebi para onde nos levavas, a junção da água com o céu, as estrelas, a lua, tudo só para nós num momento só nosso...
Não me lembro do que tinha vestido, apenas da tua camisa branca a rebolar comigo pelo chão, lembro-me que estava de sandálias e naquele piso flutuante não dava jeito nenhum, tirei-as, andei, descalça, como que a fugir de algo que queria, em fintas que não o eram...
Lembro-me do abraço, do beijo, da loucura, do desejo, lembro-me do teu perfume, lembro-me de querer parar o tempo, lembro-me dos sussurros, lembro-me de querer muito mais, lembro-me de ter frio, de me aqueceres... lembro-me de combinarmos a minha primeira viagem para te ver, lembro-me de pensar se querias mesmo que fosse ter contigo...


Pensamento esse que me acompanhou durante essa semana, até me chamares uns quantos nomes e me dizeres que me querias lá, ao teu lado, e eu fui... Muitas mais viagens se seguiram, minhas, tuas, cada viagem repleta de momentos, pequenos gestos, pequenas doçuras, fins de semana completamente loucos, intensos, minutos que me fizeram renascer, sorrir, recuperar aquele olhar, azul... No pensamento aquelas dúvidas, aqueles medos que sempre falei, mas isso faz parte de mim, não é fácil desaparecer, aos poucos, os fantasmas vão embora, quem mos leva?! Ghost Busters diriam os Gatos, eu digo o tempo...

De porta aberta, aquele sorriso, o pinheirinho, o início, aquele sorriso, o espanto, a surpresa, aquele sorriso, lembro que pensei, lembro-me que senti mas não o disse, ficou guardado para mais tarde

Mas quero, senti-lo, dize-lo, não hoje ou amanhã, agora... 2660001830...

11 setembro, 2007

Elogio ao Amor

"O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente"apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto deconversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como
os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e
que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazerfelizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio,
não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para
perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura aVida inteira, o amor não.

Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso
Recebido por e-mail

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