Sem aviso prévio, sem carta registada ou aviso, não viu nem ouviu ameaças, apenas aquele discurso final de quem tinha dezenas de motivos, centenas de razões, como se tudo estivesse à muito previsto, planeado quem sabe, apenas à espera daquela desculpa, forçada no seu entender, sem nexo, sem motivo...
Aquele empurrão surpresa fê-la cair, mas não partir, aquela máscara, personalidade tantas vezes apelidada de arrogante fez com que ela recuperasse de fora para dentro, depressa demais para os que apenas viam o exterior... Mas esses não precisavam de saber a realidade, o que estava a custar, o que magoava, o teatro que foi necessário para não mostrar aquela dor e mágoa associados não ao fim, mas ao motivo, à desconfiança...

... e depois do empurrão o mergulho, de cabeça, sem pára quedas, sem rede de segurança, sem saber o que se seguiria, onde iria parar, de suporte aquele olhar, tanto doce como matador, seguro e tentador, no meio as palavras, meigas, os gestos, loucos, o olhar, apaixonante... E naquela noite o "cubo de gelo" pelo qual um dia foi chamada derreteu, daquele momento recorda o som, deles apenas, um brilho aquoso a reflectir um brilho estrelar, um aroma, dele, a vontade de mergulhar naquelas águas calmas, o medo do incerto... o horizonte, uma felicidade adquirida a cada minuto...